A Libelinha-anã Ischnura pumilio é uma pequena libelinha que, apesar do seu tamanho, tem um papel importante nos ecossistemas onde vive.
Encontrá-la a voar entre a vegetação da Costa da Guia é uma oportunidade para observar a biodiversidade que existe junto ao litoral.
É uma espécie associada sobretudo a zonas com alguma humidade e vegetação, onde procura pequenos insetos para se alimentar.
As libelinhas são predadoras e ajudam a controlar populações de outros pequenos insetos.
A vegetação natural da Costa da Guia oferece abrigo e alimento a muitas destas pequenas espécies.
Observar uma Ischnura pumilio neste local mostra-nos que a natureza costeira vai muito além das aves e das plantas.
Mesmo entre as arribas e o mar, existe uma vida discreta que merece ser conhecida e protegida.💚
Birding Cascais
Biodiversidade e Conservação da Natureza.
sábado, 10 de outubro de 2026
Libelinha-anã (Ischnura pumilio) na vegetação da Costa da Guia, 2026.💚
Borboleta Azul-comum (Polyommatus icarus) na Zona Quinta Vale Cavalos 2026.🦋
A Polyommatus icarus, conhecida como azul-comum, é uma pequena borboleta que podemos encontrar na Quinta Vale Cavalos, em Cascais.
Voa sobretudo por zonas abertas, prados e terrenos com vegetação rasteira, onde encontra plantas para se alimentar e completar o seu ciclo de vida.
Os machos, de tons azulados, destacam-se facilmente entre a vegetação.
Esta espécie depende muito das plantas espontâneas e das flores que existem nestes espaços naturais.
A sua presença é um sinal da importância dos prados e terrenos não excessivamente cuidados para a biodiversidade.
Na Quinta Vale Cavalos, pequenas áreas de vegetação natural podem assim servir de refúgio a uma grande variedade de insetos.
Proteger estes espaços é também proteger as pequenas espécies que tornam o nosso território mais rico e diverso.💚
Taralhão-cinzento / Spotted Flycatcher (Muscicapa striata) no Jardim da Costa da Guia, 2026.🦜
O Taralhão-cinzento (Muscicapa striata) é uma pequena ave migradora que, nesta época do ano, atravessa Cascais durante a sua viagem para sul.
É frequente encontrá-lo pousado em muros, árvores ou arbustos, procurando insetos para recuperar energia.
A sua passagem mostra como até os jardins urbanos podem ser importantes para as aves migradoras.
Estes espaços oferecem alimento, abrigo e locais de descanso durante uma viagem que pode ser longa e exigente.
Manter jardins com árvores, arbustos e plantas autóctones ajuda a criar pequenas “ilhas” de biodiversidade no meio da cidade.
Observar um Taralhão-cinzento (Muscicapa striata) num jardim de Cascais é, por isso, também observar a natureza em movimento.
Pequenos espaços verdes podem ter uma grande importância na conservação das aves.💚
quarta-feira, 7 de outubro de 2026
Lasiommata megera na zona da Pedra Amarela Campo Base, Serra de Sintra 2026.🦋💚
Nos granitos da Pedra Amarela, junto ao Campo Base, a Lasiommata megera encontra um habitat ideal para viver.
Esta borboleta gosta de zonas abertas, com afloramentos rochosos, vegetação rasteira e áreas soalheiras.
É frequente vê-la pousada nas pedras, aproveitando o calor do sol, ou voando baixo entre a vegetação.
As plantas espontâneas e as gramíneas do local fornecem alimento às suas lagartas.
Os afloramentos graníticos criam ainda pequenos espaços quentes e abrigados, importantes para a sua atividade.
Uma espécie discreta, mas que revela a riqueza e o equilíbrio dos habitats da Serra de Sintra. 🦋
Chasco-cinzento / Northern Wheatear (Oenanthe oenanthe) na zona do Guincho, 2026.💚
Nesta época do ano, o Chasco-cinzento (Oenanthe oenanthe) pode ser observado em passagem migratória junto às arribas e zonas abertas do litoral de Cascais.
Estas aves viajam milhares de quilómetros entre as áreas de reprodução e os locais onde passam o inverno.
As arribas, com os seus matos baixos, afloramentos rochosos e áreas abertas, oferecem importantes locais de paragem e alimentação.
Aqui, o chasco procura insetos e outros pequenos invertebrados que encontra no solo e entre a vegetação.
A conservação destes habitats costeiros é, por isso, fundamental para muitas aves migradoras que utilizam a nossa costa como corredor de passagem.
Uma pequena ave em viagem, mas com uma enorme história por detrás. 💚
terça-feira, 6 de outubro de 2026
Golfinhos a passar junto à costa de Cascais (Farol da Guia), 2026.💚
No Domingo de manhã, junto ao Farol da Guia, os golfinhos brindaram-nos com um verdadeiro espetáculo, saltando alegremente junto à costa. 🐬🌊
Estes mamíferos marinhos vivem em grupos e percorrem grandes áreas em busca de peixe e lulas.
A costa de Cascais é uma importante zona de passagem e alimentação para várias espécies marinhas.
Observar estes animais tão perto de terra mostra a riqueza e a importância ecológica do nosso litoral.
Proteger o mar é também proteger estes momentos únicos de vida selvagem.
Toutinegra-dos-valados / Sardinian warbler (Sylvia melanocephala) Quinta do Pisão, 2026.🦜
No final de uma tarde solarenga, uma Toutinegra-dos-valados (Sylvia melanocephala) pousa nas plantas da berma do trilho na Quinta do Pisão, à procura de alimento.
Entre folhas e flores, esta pequena ave explorava cuidadosamente a vegetação em busca de insetos.
Uma observação discreta, mas que mostra a importância dos espaços naturais da Quinta do Pisão para a avifauna de Cascais.
Pequenos momentos que revelam a riqueza da biodiversidade que nos rodeia.💚
quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Melro-azul / Blue Rock Thrush (Monticola solitarius) na Costa de Cascais 2026.🦜
Desde 2022 que não observava o Melro-azul (Monticola solitarius) nesta zona, voltei a observar nas arribas calcárias da costa de Cascais, precisamente numa área onde em anos anteriores, chegou a utilizar cavidades para nidificar.
Esta observação assume particular interesse, não apenas pelo intervalo de vários anos, mas porque confirma a importância destas arribas como habitat para uma espécie intimamente associada a ambientes rochosos, onde encontra locais de abrigo, nidificação e pontos de observação para capturar insetos e outros pequenos invertebrados.
O Melro-azul é uma presença característica das paisagens rochosas mediterrânicas e a sua ocorrência nas arribas de Cascais constitui mais um indicador da riqueza ecológica deste litoral.
segunda-feira, 28 de setembro de 2026
A Osga-comum no granito de Sintra.🦎
Se andar pela serra de Sintra ao fim do dia, repare nas rochas e nos muros de pedra: é aí que vive a Osga-comum. É um pequeno réptil cinzento, de olhos grandes e pele rugosa, que muda de tom conforme a luz, mais escura de dia e mais clara à noite. Os dedos têm pequenas lâminas que lhe permitem trepar paredes e andar de cabeça para baixo.
Sai sobretudo à noite para caçar insetos e aranhas, e gosta de ficar perto de candeeiros, onde os insetos se juntam. Ajuda assim a controlar as pragas, e serve ela própria de alimento a aves, gatos e outros répteis.
Não está ameaçada, e a sua presença é um bom sinal de que ainda há refúgio e comida nos muros e rochas da serra. Se vir uma com a cauda mais lisa do que o resto do corpo, é porque a perdeu a fugir de um predador e ela voltou a crescer.
Lodão-bastardo, a árvore que se agarra às rochas da Serra de Sintra.🌳
Caos de blocos na Pedra Amarela, granito com milhões de anos.
Quem chega ao Campo Base da Pedra Amarela, na vertente Sul da Serra de Sintra, pisa um dos melhores exemplos de paisagem granítica da região. Os blocos arredondados que pontuam os trilhos, os "caos de blocos", têm origem há cerca de 80 milhões de anos, quando o magma subiu e arrefeceu lentamente sob as rochas calcárias, formando o maciço de Sintra. Depois, a água infiltrou-se nas fraturas do granito e foi decompondo a rocha a partir das arestas. A erosão removeu o material mais alterado e deixou os blocos à vista, ainda hoje esculpidos pela chuva, pelo vento e pela humidade atlântica. Para Cascais, este património é precioso, integra o Parque Natural de Sintra-Cascais, abriga uma biodiversidade rica e faz da Pedra Amarela um ponto de partida para caminhadas, trail e BTT entre rochas e floresta. Cada bloco que encontrar pelo caminho guarda uma história que começou muito antes de nós.
quarta-feira, 23 de setembro de 2026
O Sobreiro e os Líquenes, uma pequena floresta sobre a cortiça.🌳
O Sobreiro (Quercus suber) é uma das espécies mais emblemáticas da flora mediterrânica ocidental e uma verdadeira espécie-bandeira dos ecossistemas mediterrânicos portugueses. No Parque Natural de Sintra-Cascais existem habitats de Quercus suber, integrados numa paisagem marcada pelo encontro entre influências mediterrânicas e atlânticas.
A cortiça oferece aos líquenes uma superfície onde podem fixar-se. Não retiram alimento do sobreiro nem são, em condições normais, parasitas da árvore. O líquen obtém sobretudo um suporte físico, enquanto o sobreiro disponibiliza uma superfície relativamente estável onde estas comunidades podem desenvolver-se.
E aqui começa uma história ecológica interessante.
Os líquenes são associações entre fungos e organismos fotossintéticos, como algas verdes ou cianobactérias. Conseguem colonizar superfícies onde poucas outras formas de vida conseguem instalar-se. Na cortiça, juntamente com musgos, pequenos fungos e inúmeros organismos microscópicos, contribuem para criar uma comunidade que pode passar completamente despercebida.
A presença e diversidade dos líquenes podem também refletir características do ambiente envolvente, como humidade, exposição à luz, disponibilidade de água e qualidade do ar. Na Serra de Sintra, onde a influência atlântica e mediterrânica se encontram, estas condições contribuem para a existência de numerosos micro-habitats.
O próprio Sobreiro é uma espécie ecologicamente importante. As suas folhas, bolotas, ramos, tronco e cortiça oferecem diferentes recursos a numerosos organismos. É uma árvore que pode sustentar uma elevada diversidade de vida, muito para além daquilo que observamos à primeira vista.
Conservar os sobreirais e as árvores maduras da Serra de Sintra é, por isso, conservar também toda uma comunidade de organismos que vive sobre, dentro e à volta destas árvores, incluindo os discretos líquenes que ajudam a revelar a riqueza ecológica deste ecossistema mediterrânico.
Assim, quando observamos um sobreiro coberto de líquenes, não estamos simplesmente perante uma árvore com manchas na cortiça.
Estamos perante uma pequena comunidade ecológica instalada numa árvore que constitui uma das grandes espécies bandeira da paisagem mediterrânica portuguesa.
As azeitonas do Zambujeiro (ou Oliveira-brava).🌳
As pequenas azeitonas que vemos neste vídeo são muito diferentes das grandes azeitonas produzidas pelas variedades cultivadas. O zambujeiro desenvolve frutos geralmente mais pequenos, resultado de uma longa adaptação às condições naturais do Mediterrâneo. Em Portugal, a Flora-On associa esta forma silvestre sobretudo a matos xerofílicos, locais secos e rochosos, precisamente alguns dos ambientes onde a vegetação mediterrânica encontra condições para prosperar.
Mas esta pequena azeitona conta uma história muito mais antiga.
A Olea europaea faz parte da flora mediterrânica há milhares de anos e a sua relação com o ser humano é igualmente antiga. A oliveira foi sendo selecionada e domesticada, sobretudo no Mediterrâneo oriental, dando origem às inúmeras variedades cultivadas que conhecemos atualmente. A oliveira cultivada e o zambujeiro pertencem, contudo, ao mesmo complexo evolutivo.
É fascinante pensar que uma árvore como esta, aparentemente banal numa paisagem de Cascais, representa uma linhagem vegetal que atravessou alterações climáticas, transformações da paisagem e milhares de anos de presença humana.
Ecologicamente, o Zambujeiro tem também o seu papel. Como árvore ou arbusto perenifólio, contribui para a estrutura da vegetação mediterrânica e os seus frutos constituem um recurso alimentar para a fauna, participando nas relações entre plantas e animais e na dispersão das sementes.
Assim, estas pequenas azeitonas não são apenas frutos.
São parte de uma paisagem mediterrânica antiga, onde natureza e história humana se cruzam há milhares de anos.
No Zambujeiro, em Cascais, observar um zambujeiro é também olhar para um pequeno fragmento da história evolutiva e cultural do Mediterrâneo.
Phillyrea angustifolia. 🌳
Na região de Sintra, a sua presença é particularmente interessante. Nas comunidades vegetais existentes entre Adraga e o Cabo da Roca, por exemplo, a Phillyrea angustifolia surge associada a espécies como o zimbro (Juniperus turbinata) e o carrasco (Quercus coccifera), formando parte de um mosaico de vegetação adaptado às condições secas, exposição ao vento e influência marítima.
A sua importância ecológica vai além da aparência discreta. Como arbusto perene, contribui para a estrutura dos matagais, oferecendo abrigo e recursos para diversos organismos. Os seus pequenos frutos, que amadurecem para tonalidades escuras, podem também participar nas relações de dispersão de sementes por animais.
É, por isso, uma daquelas plantas que facilmente passam despercebidas, mas que ajudam a contar a história ecológica da Serra de Sintra: uma flora mediterrânica resistente, adaptada à seca, ao vento, aos solos pobres e à dinâmica natural dos matagais.
terça-feira, 22 de setembro de 2026
Peto-real /Eurasian Green Woodpecker (Picus viridis) na zona Pedra Amarela Campo Base, 2026.
Na zona da Pedra Amarela Campo Base, na Serra de Sintra, um Peto-real (Picus viridis) pousado num pinheiro revela mais uma vez a riqueza natural desta paisagem.
Embora seja frequentemente associado às árvores, o Peto-real passa bastante tempo no solo, onde procura sobretudo formigas e outros pequenos invertebrados, utilizando o seu longo bico e uma língua especialmente adaptada para alcançar as presas.
O indivíduo fotografado, pousado num pinheiro, aproveita a árvore como local de observação e descanso, num ambiente onde áreas florestais, clareiras e zonas abertas proporcionam diferentes recursos ao longo do ano.
A presença desta espécie é também um interessante indicador da diversidade de habitats existente na Serra de Sintra, onde mesmo uma simples árvore pode funcionar como ponto de repouso e observação para a avifauna.