A Vanessa-dos-cardos (Vanessa cardui) é uma das borboletas mais emblemáticas dos fenómenos migratórios entre a Europa e África.
Na Costa da Guia, junto à Boca do Inferno, pode encontrar condições favoráveis para alimentação e repouso, sobretudo durante os períodos de passagem migratória.
As áreas abertas, vegetação espontânea e plantas nectaríferas constituem recursos importantes para esta espécie.
A sua ecologia é particularmente interessante pela capacidade de realizar deslocações de longa distância, acompanhando as condições ambientais e a disponibilidade de recursos.
A presença desta pequena migradora demonstra que a importância ecológica da costa de Cascais ultrapassa largamente o ambiente marinho.
Entre o oceano, as arribas e a vegetação litoral, existe um mosaico de habitats que sustenta uma biodiversidade surpreendentemente diversificada.
A galheta (Phalacrocorax aristotelis) é uma ave marinha intimamente ligada aos ambientes costeiros rochosos, encontrando na costa de Cascais condições particularmente favoráveis.
As arribas, plataformas rochosas e reentrâncias junto à Boca do Inferno e Costa da Guia proporcionam locais de repouso e abrigo, enquanto o mar envolvente constitui o seu principal território de alimentação.
É uma espécie essencialmente piscívora, adaptada à captura de pequenos peixes através do mergulho, podendo permanecer vários minutos a explorar as águas costeiras.
A presença da galheta evidencia a importância ecológica das arribas e do mosaico de habitats marinhos e terrestres desta faixa litoral.
Nesta época do ano, o Maçarico-galego (Numenius phaeopus) atravessa a costa portuguesa na sua migração rumo às áreas de invernada mais meridionais.
A costa de Cascais constitui um importante espaço de passagem, repouso e alimentação para estas aves migradoras.
As zonas rochosas, intertidais e estuarinas próximas oferecem recursos alimentares essenciais para recuperar energia durante uma viagem de enorme exigência fisiológica.
A sua presença, por vezes discreta e passageira, revela a importância ecológica da faixa costeira de Cascais como parte de uma rede migratória muito mais ampla.
Observar um Maçarico-galego nesta costa é, assim, testemunhar um pequeno momento de um fenómeno ecológico à escala continental.
Um Periquito-rabijunco tranquilo, pousado numa árvore no Jardim da Costa da Guia, em Cascais. Embora seja uma espécie exótica invasora, a sua presença constitui também uma oportunidade para observar processos ecológicos associados à colonização de novos territórios. A sua adaptação ao meio urbano, utilização de árvores para abrigo e reprodução e exploração de recursos alimentares demonstram uma elevada plasticidade ecológica. Estudar estas populações é importante para compreender os seus impactos sobre espécies e ecossistemas autóctones.
A Escrevedeira-de-garganta-preta(Emberiza cirlus) é uma presença discreta, mas característica, dos pinhais e zonas abertas da Serra de Sintra. Nesta época, a observação destas aves permite acompanhar os seus movimentos e perceber como utilizam diferentes habitats ao longo do ano. Os pinhais, clareiras e áreas de matos fornecem alimento, abrigo e locais de repouso. Observar, registar e conhecer estas espécies é uma forma simples de valorizar e proteger a biodiversidade da Serra de Sintra.
A Felosa-musical (Phylloscopus trochilus) é uma das pequenas aves que podemos encontrar na costa de Cascais durante a migração outonal. Nesta altura do ano, indivíduos vindos do norte da Europa atravessam a nossa região a caminho das áreas de invernada em África. Pequena e discreta, procura insetos entre arbustos, árvores e vegetação junto às arribas, aproveitando estes locais para repousar e alimentar-se. A sua passagem recorda-nos que a costa é também um importante corredor migratório para muitas espécies.
A Libélula de Nervuras Vermelhas(Sympetrum fonscolombii) continua ativa no final do verão, podendo ser observada junto às arribas e pequenas zonas húmidas da costa de Cascais. É uma espécie com grande capacidade de dispersão, frequentemente encontrada longe dos locais onde se desenvolveu a fase larvar. Nesta época, os adultos alimentam-se de pequenos insetos voadores e procuram locais soalheiros para regular a temperatura corporal. Os dias ainda quentes e ensolarados favorecem a sua atividade, antes da chegada das condições mais frescas do outono. Observar esta espécie junto ao litoral mostra como estes espaços podem ter importância para a biodiversidade
Um Falcão-peregrino (Falco peregrinus) repousa tranquilamente sobre os calcários da costa de Cascais, aproveitando um dos seus habitats naturais mais característicos. Com o fim da época de reprodução, inicia-se uma fase importante para estas aves, os juvenis ganham autonomia e os adultos recuperam energia. As arribas costeiras funcionam como locais de descanso, vigilância e caça, oferecendo excelentes pontos de observação sobre o território. É uma época de maior movimento e dispersão, especialmente entre os jovens. Observar estes momentos é também uma oportunidade para conhecer e valorizar a biodiversidade selvagem que ainda persiste na nossa costa.
No Parque Natural de Sintra-Cascais, onde zonas florestais, áreas abertas e escarpas se encontram numa paisagem extremamente diversificada, estas interações lembram-nos que existe uma complexa rede de relações entre os diferentes predadores que partilham o território.
O Falcão-peregrino (Falco peregrinus) é uma das aves mais emblemáticas da Costa de Cascais. Especializado na caça de outras aves em voo, pode atingir velocidades extraordinárias durante os seus voos picados. A presença de um casal reprodutor nas escarpas do Parque Natural de Sintra-Cascais é, por isso, um excelente indicador do valor ecológico destes habitats.
Quem percorre os jardins de Lisboa começa a encontrar uma presença cada vez mais familiar entre as árvores, o Periquitão-de-cabeça-azul, uma das espécies de psitacídeos que tem vindo a estabelecer-se e a expandir-se no ambiente urbano da capital. Os jardins, parques e avenidas arborizadas de Lisboa oferecem condições particularmente favoráveis a estas aves. Encontram alimento, árvores de grande porte onde podem repousar e, sobretudo, locais adequados para pernoitar e procurar abrigo. E há momentos em que a observação destas aves revela comportamentos muito interessantes. Como podemos ver no vídeo, um casal, aparentemente completamente descontraído, troca carícias entre os ramos na zona do Parque Eduardo VII. O comportamento de limpeza e contacto entre os dois indivíduos mostra uma dimensão social destas aves que muitas vezes passa despercebida quando apenas as observamos a voar ou a alimentar-se.
Lisboa está a transformar-se num novo território para os psitacídeos, a expansão destas aves no meio urbano é um fenómeno que merece ser acompanhado com atenção. Por um lado, acrescenta uma nova dimensão à biodiversidade das cidades; por outro, quando se trata de espécies introduzidas, levanta questões ecológicas importantes sobre a sua possível competição com espécies nativas, utilização de recursos e capacidade de expansão. É precisamente por isso que observar, fotografar e registar estes animais é tão importante. Os jardins urbanos não são apenas espaços de lazer. São verdadeiros ecossistemas, onde espécies nativas e introduzidas interagem diariamente e onde podemos assistir, em tempo real, à transformação da biodiversidade da cidade.
Durante muitos anos, observar um Esquilo-vermelho(Sciurus vulgaris) no concelho de Cascais seria uma experiência pouco habitual. Hoje, porém, começam a surgir sinais interessantes de uma possível progressão da espécie pelo território, acompanhando áreas florestais e corredores ecológicos que ligam a Serra de Sintra às zonas verdes do concelho. Uma das observações ocorreu na Guia 6/8/26, numa zona onde a presença de árvores, jardins e manchas de vegetação permitem criar pequenas áreas de abrigo e alimentação.
A segunda observação ocorreu na Ribeira das Vinhas 16/8/26, um dos corredores verdes mais importantes do concelho. Aqui, a situação é ainda mais significativa do ponto de vista ecológico.
A Ribeira das Vinhas funciona como um corredor de conectividade ecológica, permitindo a circulação de fauna entre diferentes manchas de vegetação. Galerias ripícolas, árvores, matos e áreas florestais constituem uma rede de habitats que pode facilitar a deslocação de pequenos mamíferos.
Há descobertas que nos recordam a extraordinária capacidade de adaptação da natureza. Este ano foi possível acompanhar um ninho de Açor (Accipiter gentilis) instalado numa zona inesperada, em Cascais. No momento da observação, o ninho albergava duas crias já em fase de voo, sendo que uma delas pode ser vista no vídeo que acompanha esta publicação.
O Açor é uma ave de rapina tipicamente florestal, exigente na escolha dos locais de reprodução e muito sensível à perturbação humana durante a época de nidificação. Tradicionalmente, a Serra de Sintra oferecia as condições ideais para a espécie, com extensas áreas de pinhal e relativa tranquilidade. No entanto, a crescente pressão humana, resultante do aumento do turismo, das atividades recreativas e da utilização intensiva dos trilhos florestais, poderá estar a reduzir a disponibilidade de locais adequados para nidificar, levando alguns casais a explorar territórios alternativos mais discretos. Esta interpretação é coerente com a ecologia da espécie, embora a escolha de um local de nidificação resulte sempre de vários fatores, incluindo a disponibilidade de habitat e de presas.
Longe vão os anos em que era possível acompanhar regularmente vários ninhos na zona da Quinta do Pisão, onde a espécie encontrava condições de maior tranquilidade para completar o ciclo reprodutor. Ao longo da última década, diferentes registos documentaram a importância desta área para o Açor no Parque Natural de Sintra-Cascais, bem como os desafios crescentes colocados pela presença humana.
Esta nova observação demonstra, uma vez mais, a notável resiliência do Açor, mas constitui também um alerta para a necessidade de compatibilizar a conservação da biodiversidade com o uso recreativo dos espaços naturais. A presença desta espécie tão perto de uma área urbana deve ser encarada como um privilégio e uma responsabilidade coletiva, reforçando a importância de preservar zonas arborizadas tranquilas e de minimizar a perturbação durante a época de reprodução.
Para quem acompanha a evolução desta espécie na região de Cascais e da Serra de Sintra, encontram-se disponíveis diversos registos históricos e observações no blogue Birding Cascais, que documenta há vários anos a presença e a reprodução do Açor nesta região. Birding Cascais
Nas últimas décadas, a população europeia de rola-brava sofreu um colapso drástico (superior a 70% em algumas regiões devido à perda de habitat e à pressão cinegética), o que levou ao seu agravamento para o estatuto de "Quase Ameaçada" no Livro Vermelho das Aves de Portugal Continental. Ver um casal ativo é um sinal de esperança para a biodiversidade local.
É uma pena esta ave ser caçada em Portugal e na Europa depois de tudo que se sabe sobre o seu declínio, enfim.
Passada uma semana dá para verificar o crescimento das crias.
Para conseguir alimentar três crias (uma ninhada grande e exigente para esta espécie), os progenitores precisam de caçar uma quantidade grande de alimento diariamente.
Esta situação vem mostrar que o ecossistema está em boas condições, sendo um bom bioindicador.