terça-feira, 22 de setembro de 2026

Peto-real /Eurasian Green Woodpecker (Picus viridis) na zona Pedra Amarela Campo Base, 2026.

Na zona da Pedra Amarela Campo Base, na Serra de Sintra, um Peto-real (Picus viridis) pousado num pinheiro revela mais uma vez a riqueza natural desta paisagem.

Embora seja frequentemente associado às árvores, o Peto-real passa bastante tempo no solo, onde procura sobretudo formigas e outros pequenos invertebrados, utilizando o seu longo bico e uma língua especialmente adaptada para alcançar as presas.

O indivíduo fotografado, pousado num pinheiro, aproveita a árvore como local de observação e descanso, num ambiente onde áreas florestais, clareiras e zonas abertas proporcionam diferentes recursos ao longo do ano.

A presença desta espécie é também um interessante indicador da diversidade de habitats existente na Serra de Sintra, onde mesmo uma simples árvore pode funcionar como ponto de repouso e observação para a avifauna.


 

Borboleta Vanessa Atalanta no zona da Pedra Amarela Campo Base, 2026.🦋

Uma Vanessa-atalanta (Vanessa atalanta) pousada tranquilamente, aproveitando os raios de sol para regular a sua temperatura corporal.
Este comportamento de termorregulação é fundamental para as borboletas, permitindo-lhes atingir a temperatura necessária para iniciar a atividade.
Frequentemente observada em áreas abertas, jardins e espaços com vegetação espontânea, é uma espécie bem adaptada a ambientes humanizados.
Um momento aparentemente simples, mas que revela uma das estratégias essenciais para a sobrevivência destes pequenos insetos.


 

Águia-d'asa-redonda / Common Buzzard (Buteo buteo) na zona da Quinta Vale Cavalos, 2026.

Uma Águia-de-asa-redonda (Buteo buteo) pousada num poste, na Quinta Vale Cavalos, em Cascais.
Do alto deste ponto de observação, permanece atenta aos movimentos no solo, procurando uma oportunidade para caçar.
Esta postura é característica de uma ave de rapina que utiliza frequentemente pontos elevados para vigiar o território.
Uma observação simples, mas que revela a presença e o papel ecológico das aves de rapina na paisagem de Cascais.


 

quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Borboleta Vanessa cardui na Costa da Guia, 2026.

A Vanessa-dos-cardos (Vanessa cardui) é uma das borboletas mais emblemáticas dos fenómenos migratórios entre a Europa e África.
Na Costa da Guia, junto à Boca do Inferno, pode encontrar condições favoráveis para alimentação e repouso, sobretudo durante os períodos de passagem migratória.
As áreas abertas, vegetação espontânea e plantas nectaríferas constituem recursos importantes para esta espécie.
A sua ecologia é particularmente interessante pela capacidade de realizar deslocações de longa distância, acompanhando as condições ambientais e a disponibilidade de recursos.
A presença desta pequena migradora demonstra que a importância ecológica da costa de Cascais ultrapassa largamente o ambiente marinho.
Entre o oceano, as arribas e a vegetação litoral, existe um mosaico de habitats que sustenta uma biodiversidade surpreendentemente diversificada.
 

Galheta / European Shag (Phalacrocorax aristotelis) na Costa de Cascais, 2026.

A galheta (Phalacrocorax aristotelis) é uma ave marinha intimamente ligada aos ambientes costeiros rochosos, encontrando na costa de Cascais condições particularmente favoráveis.
As arribas, plataformas rochosas e reentrâncias junto à Boca do Inferno e Costa da Guia proporcionam locais de repouso e abrigo, enquanto o mar envolvente constitui o seu principal território de alimentação.
É uma espécie essencialmente piscívora, adaptada à captura de pequenos peixes através do mergulho, podendo permanecer vários minutos a explorar as águas costeiras.
A presença da galheta evidencia a importância ecológica das arribas e do mosaico de habitats marinhos e terrestres desta faixa litoral.

 

terça-feira, 15 de setembro de 2026

Passagem migratória do Maçarico-galego / Whimbrel (Numenius phaeopus) na costa de Cascais, 2026.

Nesta época do ano, o Maçarico-galego (Numenius phaeopus) atravessa a costa portuguesa na sua migração rumo às áreas de invernada mais meridionais.
A costa de Cascais constitui um importante espaço de passagem, repouso e alimentação para estas aves migradoras.
As zonas rochosas, intertidais e estuarinas próximas oferecem recursos alimentares essenciais para recuperar energia durante uma viagem de enorme exigência fisiológica.
A sua presença, por vezes discreta e passageira, revela a importância ecológica da faixa costeira de Cascais como parte de uma rede migratória muito mais ampla.
Observar um Maçarico-galego nesta costa é, assim, testemunhar um pequeno momento de um fenómeno ecológico à escala continental.

 

Periquito-rabijunco (Psittacula krameri) no Jardim da Costa da Guia, 2026.

Um Periquito-rabijunco tranquilo, pousado numa árvore no Jardim da Costa da Guia, em Cascais.
Embora seja uma espécie exótica invasora, a sua presença constitui também uma oportunidade para observar processos ecológicos associados à colonização de novos territórios.
A sua adaptação ao meio urbano, utilização de árvores para abrigo e reprodução e exploração de recursos alimentares demonstram uma elevada plasticidade ecológica.
Estudar estas populações é importante para compreender os seus impactos sobre espécies e ecossistemas autóctones.

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Escrevedeira-de-garganta-preta / Cirl Bunting (Emberiza cirlus) na zona da Quinta Vale Cavalos, 2026.

A Escrevedeira-de-garganta-preta (Emberiza cirlus) é uma presença discreta, mas característica, dos pinhais e zonas abertas da Serra de Sintra.
Nesta época, a observação destas aves permite acompanhar os seus movimentos e perceber como utilizam diferentes habitats ao longo do ano.
Os pinhais, clareiras e áreas de matos fornecem alimento, abrigo e locais de repouso.
Observar, registar e conhecer estas espécies é uma forma simples de valorizar e proteger a biodiversidade da Serra de Sintra. 


 

Passagem migratória Felosa-musical / Willow Warbler (Phylloscopus trochilus) em Cascais, 2026

 

A Felosa-musical (Phylloscopus trochilus) é uma das pequenas aves que podemos encontrar na costa de Cascais durante a migração outonal.
Nesta altura do ano, indivíduos vindos do norte da Europa atravessam a nossa região a caminho das áreas de invernada em África.
Pequena e discreta, procura insetos entre arbustos, árvores e vegetação junto às arribas, aproveitando estes locais para repousar e alimentar-se.
A sua passagem recorda-nos que a costa é também um importante corredor migratório para muitas espécies.

Libélula de Nervuras Vermelhas (Sympetrum fonscolombii) na Costa de Cascais, 2026.

A Libélula de Nervuras Vermelhas (Sympetrum fonscolombii) continua ativa no final do verão, podendo ser observada junto às arribas e pequenas zonas húmidas da costa de Cascais.
É uma espécie com grande capacidade de dispersão, frequentemente encontrada longe dos locais onde se desenvolveu a fase larvar.
Nesta época, os adultos alimentam-se de pequenos insetos voadores e procuram locais soalheiros para regular a temperatura corporal.
Os dias ainda quentes e ensolarados favorecem a sua atividade, antes da chegada das condições mais frescas do outono.
Observar esta espécie junto ao litoral mostra como estes espaços podem ter importância para a biodiversidade

 

Adulto de Falcão-peregrino pousado nos calcários do Parque Natural de Sintra-Cascais, 2026.


Um Falcão-peregrino (Falco peregrinus) repousa tranquilamente sobre os calcários da costa de Cascais, aproveitando um dos seus habitats naturais mais característicos.
Com o fim da época de reprodução, inicia-se uma fase importante para estas aves, os juvenis ganham autonomia e os adultos recuperam energia.
As arribas costeiras funcionam como locais de descanso, vigilância e caça, oferecendo excelentes pontos de observação sobre o território.
É uma época de maior movimento e dispersão, especialmente entre os jovens.
Observar estes momentos é também uma oportunidade para conhecer e valorizar a biodiversidade selvagem que ainda persiste na nossa costa. 
 

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Peneireiro (Falco tinnunculus) a expulsar o Açor (Accipiter Gentilis) do seu território, 2026.

No Parque Natural de Sintra-Cascais, onde zonas florestais, áreas abertas e escarpas se encontram numa paisagem extremamente diversificada, estas interações lembram-nos que existe uma complexa rede de relações entre os diferentes predadores que partilham o território.


 

Falcão-peregrino / Peregrine Falcon (Falco peregrinus) no Parque Natural de Sintra-Cascais, 2026.

O Falcão-peregrino (Falco peregrinus) é uma das aves mais emblemáticas da Costa de Cascais. Especializado na caça de outras aves em voo, pode atingir velocidades extraordinárias durante os seus voos picados. A presença de um casal reprodutor nas escarpas do Parque Natural de Sintra-Cascais é, por isso, um excelente indicador do valor ecológico destes habitats.
Este ano o casal teve duas crias, mais uma que no ano passado em que só observei uma cria muito parecida com esta deste ano.
 

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Periquitão-de-cabeça-azul (Thectocercus acuticaudatus) zona do Parque Eduardo VII em Lisboa, 2026.

Quem percorre os jardins de Lisboa começa a encontrar uma presença cada vez mais familiar entre as árvores, o Periquitão-de-cabeça-azul, uma das espécies de psitacídeos que tem vindo a estabelecer-se e a expandir-se no ambiente urbano da capital.
Os jardins, parques e avenidas arborizadas de Lisboa oferecem condições particularmente favoráveis a estas aves. Encontram alimento, árvores de grande porte onde podem repousar e, sobretudo, locais adequados para pernoitar e procurar abrigo.
E há momentos em que a observação destas aves revela comportamentos muito interessantes.
Como podemos ver no vídeo, um casal, aparentemente completamente descontraído, troca carícias entre os ramos na zona do Parque Eduardo VII. O comportamento de limpeza e contacto entre os dois indivíduos mostra uma dimensão social destas aves que muitas vezes passa despercebida quando apenas as observamos a voar ou a alimentar-se.
Lisboa está a transformar-se num novo território para os psitacídeos, a expansão destas aves no meio urbano é um fenómeno que merece ser acompanhado com atenção. Por um lado, acrescenta uma nova dimensão à biodiversidade das cidades; por outro, quando se trata de espécies introduzidas, levanta questões ecológicas importantes sobre a sua possível competição com espécies nativas, utilização de recursos e capacidade de expansão.
É precisamente por isso que observar, fotografar e registar estes animais é tão importante.
Os jardins urbanos não são apenas espaços de lazer. São verdadeiros ecossistemas, onde espécies nativas e introduzidas interagem diariamente e onde podemos assistir, em tempo real, à transformação da biodiversidade da cidade.



 

O esquilo-vermelho (Sciurus vulgaris) na zona do Farol da Guia, 2026.




Durante muitos anos, observar um Esquilo-vermelho (Sciurus vulgaris) no concelho de Cascais seria uma experiência pouco habitual. Hoje, porém, começam a surgir sinais interessantes de uma possível progressão da espécie pelo território, acompanhando áreas florestais e corredores ecológicos que ligam a Serra de Sintra às zonas verdes do concelho.
Uma das observações ocorreu na Guia 6/8/26, numa zona onde a presença de árvores, jardins e manchas de vegetação permitem criar pequenas áreas de abrigo e alimentação. 
A segunda observação ocorreu na Ribeira das Vinhas 16/8/26, um dos corredores verdes mais importantes do concelho. Aqui, a situação é ainda mais significativa do ponto de vista ecológico.

A Ribeira das Vinhas funciona como um corredor de conectividade ecológica, permitindo a circulação de fauna entre diferentes manchas de vegetação. Galerias ripícolas, árvores, matos e áreas florestais constituem uma rede de habitats que pode facilitar a deslocação de pequenos mamíferos.