No Parque Natural de Sintra-Cascais, onde zonas florestais, áreas abertas e escarpas se encontram numa paisagem extremamente diversificada, estas interações lembram-nos que existe uma complexa rede de relações entre os diferentes predadores que partilham o território.
O Falcão-peregrino (Falco peregrinus) é uma das aves mais emblemáticas da Costa de Cascais. Especializado na caça de outras aves em voo, pode atingir velocidades extraordinárias durante os seus voos picados. A presença de um casal reprodutor nas escarpas do Parque Natural de Sintra-Cascais é, por isso, um excelente indicador do valor ecológico destes habitats.
Quem percorre os jardins de Lisboa começa a encontrar uma presença cada vez mais familiar entre as árvores, o Periquitão-de-cabeça-azul, uma das espécies de psitacídeos que tem vindo a estabelecer-se e a expandir-se no ambiente urbano da capital. Os jardins, parques e avenidas arborizadas de Lisboa oferecem condições particularmente favoráveis a estas aves. Encontram alimento, árvores de grande porte onde podem repousar e, sobretudo, locais adequados para pernoitar e procurar abrigo. E há momentos em que a observação destas aves revela comportamentos muito interessantes. Como podemos ver no vídeo, um casal, aparentemente completamente descontraído, troca carícias entre os ramos na zona do Parque Eduardo VII. O comportamento de limpeza e contacto entre os dois indivíduos mostra uma dimensão social destas aves que muitas vezes passa despercebida quando apenas as observamos a voar ou a alimentar-se.
Lisboa está a transformar-se num novo território para os psitacídeos, a expansão destas aves no meio urbano é um fenómeno que merece ser acompanhado com atenção. Por um lado, acrescenta uma nova dimensão à biodiversidade das cidades; por outro, quando se trata de espécies introduzidas, levanta questões ecológicas importantes sobre a sua possível competição com espécies nativas, utilização de recursos e capacidade de expansão. É precisamente por isso que observar, fotografar e registar estes animais é tão importante. Os jardins urbanos não são apenas espaços de lazer. São verdadeiros ecossistemas, onde espécies nativas e introduzidas interagem diariamente e onde podemos assistir, em tempo real, à transformação da biodiversidade da cidade.
Durante muitos anos, observar um Esquilo-vermelho(Sciurus vulgaris) no concelho de Cascais seria uma experiência pouco habitual. Hoje, porém, começam a surgir sinais interessantes de uma possível progressão da espécie pelo território, acompanhando áreas florestais e corredores ecológicos que ligam a Serra de Sintra às zonas verdes do concelho. Uma das observações ocorreu na Guia 6/8/26, numa zona onde a presença de árvores, jardins e manchas de vegetação permitem criar pequenas áreas de abrigo e alimentação.
A segunda observação ocorreu na Ribeira das Vinhas 16/8/26, um dos corredores verdes mais importantes do concelho. Aqui, a situação é ainda mais significativa do ponto de vista ecológico.
A Ribeira das Vinhas funciona como um corredor de conectividade ecológica, permitindo a circulação de fauna entre diferentes manchas de vegetação. Galerias ripícolas, árvores, matos e áreas florestais constituem uma rede de habitats que pode facilitar a deslocação de pequenos mamíferos.