segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Periquitão-de-cabeça-azul (Thectocercus acuticaudatus) zona do Parque Eduardo VII em Lisboa, 2026.

Quem percorre os jardins de Lisboa começa a encontrar uma presença cada vez mais familiar entre as árvores, o Periquitão-de-cabeça-azul, uma das espécies de psitacídeos que tem vindo a estabelecer-se e a expandir-se no ambiente urbano da capital.
Os jardins, parques e avenidas arborizadas de Lisboa oferecem condições particularmente favoráveis a estas aves. Encontram alimento, árvores de grande porte onde podem repousar e, sobretudo, locais adequados para pernoitar e procurar abrigo.
E há momentos em que a observação destas aves revela comportamentos muito interessantes.
Como podemos ver no vídeo, um casal, aparentemente completamente descontraído, troca carícias entre os ramos na zona do Parque Eduardo VII. O comportamento de limpeza e contacto entre os dois indivíduos mostra uma dimensão social destas aves que muitas vezes passa despercebida quando apenas as observamos a voar ou a alimentar-se.
Lisboa está a transformar-se num novo território para os psitacídeos, a expansão destas aves no meio urbano é um fenómeno que merece ser acompanhado com atenção. Por um lado, acrescenta uma nova dimensão à biodiversidade das cidades; por outro, quando se trata de espécies introduzidas, levanta questões ecológicas importantes sobre a sua possível competição com espécies nativas, utilização de recursos e capacidade de expansão.
É precisamente por isso que observar, fotografar e registar estes animais é tão importante.
Os jardins urbanos não são apenas espaços de lazer. São verdadeiros ecossistemas, onde espécies nativas e introduzidas interagem diariamente e onde podemos assistir, em tempo real, à transformação da biodiversidade da cidade.



 

O esquilo-vermelho (Sciurus vulgaris) na zona do Farol da Guia, 2026.




Durante muitos anos, observar um Esquilo-vermelho (Sciurus vulgaris) no concelho de Cascais seria uma experiência pouco habitual. Hoje, porém, começam a surgir sinais interessantes de uma possível progressão da espécie pelo território, acompanhando áreas florestais e corredores ecológicos que ligam a Serra de Sintra às zonas verdes do concelho.
Uma das observações ocorreu na Guia 6/8/26, numa zona onde a presença de árvores, jardins e manchas de vegetação permitem criar pequenas áreas de abrigo e alimentação. 
A segunda observação ocorreu na Ribeira das Vinhas 16/8/26, um dos corredores verdes mais importantes do concelho. Aqui, a situação é ainda mais significativa do ponto de vista ecológico.

A Ribeira das Vinhas funciona como um corredor de conectividade ecológica, permitindo a circulação de fauna entre diferentes manchas de vegetação. Galerias ripícolas, árvores, matos e áreas florestais constituem uma rede de habitats que pode facilitar a deslocação de pequenos mamíferos.